Renting, leasing ou compra: qual compensa?
A resposta honesta é que depende, mas depende de coisas concretas, e não de preferências. Esta página põe as três opções lado a lado com um exemplo de 30 000 € a 36 meses, e diz em que situação cada uma ganha.
O exemplo: 30 000 € de equipamento, 36 meses
Um parque de cerca de 26 postos de trabalho, ou um projeto de infraestrutura de pequena dimensão. Valores sem IVA, com coeficientes médios de mercado.
| Compra a pronto | Renting operacional | Locação financeira | |
|---|---|---|---|
| Saída de caixa inicial | 30 000 € + 6 900 € de IVA | 0 € | 0 € |
| Renda mensal | n/d | 1 002 € – 1 059 € | 967 € – 1 022 € |
| Valor residual no fim | n/d | Sem opção de compra | 900 € (3 %) |
| Custo total ao fim de 36 meses | 30 000 € | 36 072 € – 38 124 € | 35 709 € – 37 690 € |
| Sobrecusto do financiamento | n/d | 20,2 % – 27,1 % | 19,0 % – 25,6 % |
| Bem no ativo | Sim, amortizado a 3 anos | Não | Sim, amortizado a 3 anos |
| Tratamento em IRC | Amortização anual | Renda integralmente gasto do exercício | Amortização + juros |
| IVA | Todo no início | Sobre cada renda | Sobre cada renda e sobre o residual |
| Propriedade no fim | Da empresa | Da financiadora | Da empresa, se exercer a opção |
| Renovação do parque | Nova decisão de investimento | Contratada à partida | Nova decisão de investimento |
| Saída antecipada | Livre | Rendas vincendas | Capital em dívida |
Cenário neutro: assume uma financiadora independente, que ganha o seu dinheiro no financiamento. Quando o renting é feito pela financiadora do próprio fabricante, os números podem melhorar bastante, pelas razões explicadas a seguir. Valores indicativos, calculados com coeficientes médios de mercado, sem IVA e sem serviços incluídos. Não constituem proposta contratual. O enquadramento contabilístico e fiscal depende do normativo aplicável à entidade e deve ser confirmado com o contabilista certificado.
Quando o renting fica abaixo do preço de compra
Aqui está a parte que quase nunca se explica. Nem todo o renting é feito por uma financiadora que só quer ganhar dinheiro no financiamento. Quando é o braço financeiro do próprio fabricante a fazê-lo, o objetivo é outro: colocar a marca no cliente.
Isso muda o cálculo por completo. O fabricante está disposto a praticar condições abaixo do que a matemática pura do financiamento daria, porque o que lhe interessa é a venda do equipamento e a relação que ela abre. E volta a ganhar no fim do contrato: recolhe o equipamento, recondiciona-o e revende-o em mercados secundários, onde há procura consistente por material empresarial usado.
O resultado prático é que, num parque concentrado numa marca, a proposta da financiadora desse fabricante é frequentemente imbatível, e pode ficar abaixo do que custaria comprar o mesmo equipamento a pronto. Não é um truque contabilístico: é o fabricante a subsidiar a colocação da sua marca e a recuperar valor duas vezes.
É também a razão pela qual insistimos em pedir sempre essa proposta. A financiadora de fabricante joga num terreno diferente das restantes, e num parque de marca única costuma ser o cenário mais barato dos quatro. Num parque misto, deixa de o ser, e aí ganham as outras. Sem comparar, a empresa nunca sabe em que caso está.
Onde é que a diferença se sente
A tabela mostra o custo. O que a tabela não mostra é quando o dinheiro sai, e é aí que está a decisão real.
A leitura honesta destes números
Na locação financeira, comprar é sempre mais barato. Amortiza-se o valor todo e pagam-se juros por cima: ao fim de 36 meses, custou entre 6 072 € e 8 124 € a mais do que a compra. Esse é o preço do financiamento e não desaparece com engenharia contabilística nenhuma.
No renting, nem sempre. Depende de quem financia, e sobretudo de se quem financia tem interesse em vender-lhe o equipamento. Quem diz que o renting é sempre mais caro do que comprar está a descrever uma locação financeira comum, não o renting de fabricante.
Quando a conta não fecha a favor do renting, a pergunta certa é outra: o que é que a empresa faz com os 30 000 € que não gastou? Se ficam parados numa conta a render pouco, a compra é melhor decisão. Se financiam stock, contratações, uma máquina que produz, ou simplesmente evitam recorrer a crédito de tesouraria mais caro, então o sobrecusto do renting compra alguma coisa de valor.
Falta ainda somar a poupança de IRC. Como a renda é integralmente gasto do exercício, devolve cerca de 7 214 € ao longo do contrato a uma taxa de 20 %. Mesmo no cenário conservador, a diferença real estreita-se bastante face ao que a primeira tabela sugere.
Regra prática, em três linhas
- Compre se tem caixa sobrante sem melhor destino e o equipamento vai durar muito mais do que o prazo do contrato.
- Peça sempre a proposta da financiadora do fabricante quando o parque é concentrado numa marca. É onde o renting pode ganhar em custo absoluto, e não só em tesouraria.
- Faça renting se o equipamento envelhece depressa, se quer o parque a renovar-se sozinho, ou se o capital tem melhor uso dentro do negócio.
- Faça leasing se quer ficar com o bem mas não quer descapitalizar-se hoje, sobretudo em infraestrutura de vida longa.
O erro mais caro
Não é escolher a modalidade errada. É escolher a modalidade certa com a financiadora errada. Entre a melhor e a pior proposta para o mesmo parque, a diferença de custo total ultrapassa frequentemente os 10 %, bastante mais do que a diferença entre renting e leasing na maioria dos casos.
É a razão pela qual submetemos sempre o mesmo pedido a quatro financiadoras. Cada uma tem o seu terreno, e nenhuma ganha sempre.
Se já tem uma proposta em mãos, podemos dizer-lhe onde ela se situa antes de assinar seja o que for.
Perguntas frequentes
Qual é a opção mais barata no total?
Depende de quem financia. Numa locação financeira comum a empresa amortiza o valor todo mais os juros, por isso sai mais caro do que comprar. Mas quando o renting é feito pelo braço financeiro do próprio fabricante, o objetivo dele não é ganhar no financiamento: é colocar a marca. Aceita condições abaixo do que a matemática do financiamento daria e recupera valor no fim, recondicionando o equipamento e revendendo-o em mercados secundários. Num parque concentrado numa marca, essa proposta pode ficar abaixo do preço de compra a pronto.
Então porque é que tantas empresas fazem renting?
Por quatro razões. Tesouraria: o capital fica em caixa. Fiscalidade e balanço: a renda é gasto do exercício e o bem não entra no ativo. Operação: o parque renova-se por contrato em vez de depender de uma decisão de investimento que é sempre adiada. E, quando o financiamento vem do próprio fabricante, o custo total pode simplesmente ser inferior ao da compra.
Porque é que a financiadora do fabricante consegue melhores condições?
Porque não vive do financiamento. Vive de vender equipamento da sua marca, e o renting é uma forma de o colocar. Por isso aceita margens no financiamento que uma financiadora independente não aceitaria, e recupera valor uma segunda vez no fim do contrato, ao recondicionar o equipamento e revendê-lo em mercados secundários. A contrapartida é que essa vantagem desaparece assim que entra equipamento de outras marcas na operação.
Como comparo uma proposta de renting com um crédito bancário?
Pela taxa implícita anual. É o único número que torna as duas coisas comparáveis, porque incorpora o prazo, a renda e o valor residual. Apresentamos a taxa implícita em todos os cenários, e recomendamos que a exija a qualquer proposta que receba, venha de onde vier.
O IVA faz assim tanta diferença?
Em tesouraria, faz. Numa compra de 30.000 €, a empresa adianta 6.900 € de IVA e recupera-os no período de imposto seguinte. No renting, o IVA incide sobre cada renda, mês a mês. Para uma empresa com direito à dedução, o valor final é o mesmo; o que muda é quando sai da conta.
Quer esta tabela com os seus números?
Envie-nos a lista de equipamento ou o valor estimado. Devolvemos a comparação completa, com as propostas reais das quatro financiadoras.