Sete cláusulas para verificar antes de assinar um renting
Ao fim de alguns anos a ler estes contratos, os problemas repetem-se sempre nos mesmos sete sítios. Nenhum deles é a renda, a renda é a única coisa que toda a gente compara, e por isso é a única em que já não há surpresas.
1. Renovação tácita
A cláusula mais cara de todas. Alguns contratos renovam-se automaticamente por períodos sucessivos se a empresa não denunciar com uma antecedência determinada, 60 ou 90 dias antes do termo. Quem se esquece continua a pagar renda por equipamento com quatro anos, que já não vale nada.
O que fazer: confirmar se existe renovação tácita e, se existir, marcar a data-limite de denúncia no calendário no próprio dia da assinatura. Não daqui a três anos: agora.
2. Custo da rescisão antecipada
Os contratos são de prazo firme. Sair antes implica pagar as rendas vincendas, com ou sem desconto financeiro consoante a financiadora, e a diferença entre haver desconto e não haver pode ser de milhares de euros.
O que fazer: pedir por escrito o valor de rescisão a meio do contrato. Se a resposta for vaga, é sinal de que não é favorável.
3. Estado de devolução
"Estado de utilização normal" é uma expressão elástica. Alguns contratos preveem penalizações por equipamento riscado, sem embalagem original, ou sem os acessórios todos. Num parque de cinquenta portáteis, isto pode transformar-se numa fatura desagradável no fim.
O que fazer: exigir que o critério de aceitação esteja escrito e quantificado, e guardar acessórios e caixas quando o contrato os exigir.
4. Apagamento de dados
É a cláusula que mais falta faz e a que menos aparece. Quem apaga os dados antes de o equipamento sair? Quem entrega o certificado? Em que prazo? Em setores com dados sensíveis, saúde, advocacia, não é uma boa prática, é uma obrigação.
O que fazer: exigir apagamento certificado com relatório por número de série, entregue à empresa. Se não estiver no contrato, contratar à parte.
5. Âmbito do seguro
"Seguro incluído" pode significar coisas muito diferentes. Cobre roubo sem arrombamento? Cobre danos por líquidos? Qual é a franquia? Há limite de sinistros por ano? Um seguro com franquia de 300 € num portátil de 900 € cobre pouco mais do que a consciência.
O que fazer: pedir as condições da apólice, não o resumo comercial.
6. Alteração do contrato
A empresa vai crescer, e vai querer acrescentar postos. Em que condições? Ao coeficiente inicial ou ao coeficiente em vigor à data? Com que data de fim, a do contrato original ou uma nova? Contratos que não preveem isto obrigam a abrir operações novas, e o parque fica com datas de renovação desalinhadas para sempre.
O que fazer: confirmar que existe mecanismo de adenda e que as adendas alinham com a data de fim do contrato original.
7. Atualização da renda
A maior parte dos contratos de renting de IT tem renda fixa. Mas nem todos: alguns preveem atualização indexada, e num contrato a 60 meses isso muda o custo total de forma significativa.
O que fazer: confirmar que a renda é fixa durante todo o prazo, por escrito. Se for indexada, pedir a simulação do custo total no cenário desfavorável.
Nas propostas que comparamos, verificamos estes sete pontos em todas. Não porque seja um serviço extraordinário, mas porque é frequentemente aqui, e não na renda, que a melhor proposta se distingue da pior. Duas propostas com a mesma mensalidade podem ter milhares de euros de diferença escondidos nestas cláusulas.
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