Sale & leaseback: transformar o parque instalado em tesouraria
A empresa comprou equipamento nos últimos dois anos, gastou caixa que agora faz falta, e o equipamento está lá, a funcionar, a valer dinheiro, e imobilizado. O sale & leaseback resolve exatamente esta situação, e quase ninguém o oferece em Portugal.
Como funciona
A empresa vende à financiadora equipamento que já detém e recebe o valor acordado em caixa. Simultaneamente, celebra um contrato de locação sobre esse mesmo equipamento e passa a pagar uma renda pelo seu uso. O equipamento não se move das instalações e ninguém no dia a dia dá pela diferença.
Na prática, é um financiamento garantido por ativos que a empresa já tem, com a diferença de que não onera nada nem exige garantias adicionais, porque o próprio bem muda de proprietário.
Quando faz sentido
- Quando um investimento recente apertou a tesouraria mais do que o previsto
- Quando há uma oportunidade com melhor retorno do que o custo do financiamento
- Quando é preciso libertar caixa sem recorrer a crédito bancário nem dar garantias
- Quando a empresa quer normalizar o parque num ciclo de renovação contratado
Quando não faz
Quando o equipamento já tem três ou quatro anos. O valor que a financiadora atribui a equipamento informático depreciado é baixo, e a renda que se passa a pagar deixa de compensar o que se recebeu. A janela útil são os primeiros dois anos de vida do equipamento, em que ainda há valor relevante para libertar.
Também não faz sentido como solução para um problema estrutural de tesouraria. Isto resolve um aperto de caixa pontual; não resolve um negócio que não gera margem. Uma empresa que recorre a sale & leaseback para pagar salários está a comprar tempo caro, e é honesto dizê-lo.
Cuidados a ter
- Confirmar o valor atribuído. É negociável e varia bastante entre financiadoras. Vale a pena pedir avaliação a mais do que uma.
- Verificar o custo total. Some as rendas todas e compare com o valor recebido. A diferença é o custo efetivo, e às vezes é elevado.
- Confirmar o enquadramento contabilístico. A operação implica desreconhecer o ativo e reconhecer o resultado da venda. Não é neutro nas contas e tem de ser preparado com o contabilista certificado.
- Verificar o inventário. A operação exige lista de equipamento com números de série e faturas de aquisição. Sem inventário atualizado, não avança.
Quem faz isto em Portugal
Menos entidades do que se pensa. Das quatro financiadoras que consultamos regularmente, a especializada em infraestrutura é a que tem programas mais desenvolvidos nesta área, com experiência em atribuir valor a parque instalado e em recomprá-lo. A internacional estrutura operações deste tipo em projetos de maior dimensão.
Se a empresa tem equipamento recente e precisa de tesouraria, vale a pena pelo menos saber quanto vale. A avaliação não tem custo nem obriga a nada.