Quanto custa realmente um posto de trabalho informático
Quando se pergunta a uma empresa quanto custa um posto de trabalho informático, a resposta é quase sempre o preço do portátil. É menos de metade da conta.
O que entra na conta
Somámos tudo o que uma empresa gasta, ao longo de três anos, para manter uma pessoa a trabalhar com equipamento informático. Não apenas o que é faturado, também o tempo interno, que é o custo mais fácil de ignorar e um dos maiores.
| Componente | Nota | 3 anos |
|---|---|---|
| Portátil | Gama empresarial, 14", i5/16 GB | 900 € |
| Dock e monitor | Dock USB-C e monitor 24" | 250 € |
| Periféricos | Teclado, rato, headset | 120 € |
| Preparação inicial | Imagem, inscrição em MDM, entrega, 2 h | 70 € |
| Garantia alargada | No local, dia útil seguinte, 3 anos | 160 € |
| Suporte ao longo da vida | ~4 h/ano de helpdesk | 420 € |
| Tempo perdido pelo utilizador | ~6 h/ano parado, a 20 €/h | 360 € |
| Abate e apagamento | Recolha, apagamento certificado, reciclagem | 35 € |
| Total | 2.315 € | |
| Por mês | 36 meses | 64 € |
Estimativas médias para uma PME portuguesa, sem IVA. Valores de tempo interno calculados a custo-hora carregado. Não incluem licenciamento de software nem conetividade.
- Portátil 900 €
- Dock e monitor 250 €
- Periféricos 120 €
- Preparação 70 €
- Garantia alargada 160 €
- Suporte (3 anos) 420 €
- Tempo parado 360 €
- Abate e apagamento 35 €
O portátil é 39 % do custo
É o número que costuma surpreender. A máquina, a única coisa que normalmente entra na decisão de compra, representa menos de dois quintos do que o posto custa verdadeiramente. Os outros três quintos distribuem-se por serviços, tempo e desgaste que ninguém orçamenta.
Duas consequências práticas. A primeira: poupar 150 € na máquina para escolher uma gama de consumo é uma falsa economia, porque a diferença regressa multiplicada em avarias, garantia pior e tempo parado. A segunda: comparar propostas apenas pelo preço do equipamento é comparar 39 % do problema.
Onde é que o dinheiro se perde de facto
Nas duas linhas que ninguém mede: suporte e tempo parado. Juntas somam 780 € por posto em três anos, mais do que a diferença entre um portátil médio e um portátil bom, muito mais do que a garantia alargada que tantas empresas dispensam para poupar 160 €.
A conclusão é contraintuitiva: comprar melhor equipamento e contratar melhor garantia costuma reduzir o custo total do posto, mesmo aumentando o investimento inicial. É o tipo de decisão que a compra a pronto dificulta, porque o orçamento de investimento é visível e o custo de suporte não é.
O que isto tem a ver com renting
Tem tudo a ver, e não pela razão habitual. Um contrato de posto de trabalho força a empresa a ver estas linhas todas, porque todas têm de estar dentro da renda. Passa a existir um número por posto e por mês que inclui aquilo que antes estava escondido em cinco centros de custo diferentes.
Chamar-lhe uma vantagem financeira seria exagerado; a maior parte destes custos existe de qualquer maneira. É uma vantagem de visibilidade, e a visibilidade é o que permite decidir com juízo.